terça-feira, agosto 28, 2007
Olá, aqui estou eu na praia!
Corrida das Fogueiras 2007
Corrida das Fogueiras e Fogueirinhas
30 de Junho de 2007-08-20
O fim-de-semana em Peniche, a pretexto da Corrida das Fogueiras e das Fogueirinhas, prometia... convívio, desporto, umas banhocas de mar e principalmente, o tão desejado descanso.
A partida foi logo pela manhã para não haver atrasos! À chegada a Peniche, a prioridade foi a identificação do percurso. Nada de especial: uma ligeira subida até ao Cabo Carvoeiro, mas tudo se faz (percurso de 15 Km)!!! Vamos lá ver... À tarde, uma agradável passagem pelo Baleal e um reconfortante banho de mar: a preparação para a corrida estava feita!
Cerca das 20h, os atletas equipados a rigor, reúnem-se em alegre convívio, comendo umas bifanas para enfrentarem com mais energia, as “duras” provas.
A noite estava magnífica, sem vento e com uma temperatura fantástica!
Às 21,30 horas deu-se a partida: primeiro para os verdadeiros atletas - Corrida das Fogueiras com os seus 15Kms - e em seguida para os "aspirantes" - Fogueirinhas com uns modestos 6 Kms. Ao longo do percurso, tal como refere o nome da corrida, havia várias fogueiras que proporcionaram um ambiente muito colorido a esta Corrida. Foi um circuito muito engraçado e diferente. Chegamos (os atletas das Fogueirinhas) à meta, fazendo cerca de 1h; podia ser pior!!! Os atletas dos 15 Kms, sobretudo a estreante nesta prova, teve pernas para terminar e não foi sequer a última! Claro que havia atletas mais habituados a estes desafios e mais bem preparados que fizeram óptimos tempos de prova.
Depois, ainda tentamos ir à sardinhada, oferecida pela organização mas a confusão era muita, e as sardinhas não quiseram nada connosco! Fica para a próxima… E assim terminamos esta belíssima noite, iluminada pelas Fogueiras de Peniche e animada pelas muitas pessoas que ao longo do percurso, incentivaram os atletas.
No domingo, o grupo de ficou em Peniche (já não tivemos pernas para chegar a casa…), fez logo bem cedinho (ou nem por isso) umas piscinas para recuperar a forma e após, uma bela sardinhada no Baleal ou não fossem as sardinhas de Peniche as melhores do País, regressamos a casa. Assim se passou um agradável fim-de-semana de convívio, que recomendo.
Venham à próxima corrida!!!
Elisabete Patrício
sexta-feira, junho 29, 2007
8ª Meia Maratona de Portugal
Hospital de Santa Maria
Este ano, desejamos manter esta iniciativa e por isso, estamos já a trabalhar nesse sentido. As inscrições, por amabilidade do Maratona Clube de Portugal, têm um desconto de 50% para os participantes do grupo, e por isso, a inscrição é de 5,50 euros. Temos já alguns patrocínios garantidos e à semelhança do ano passado, temos ainda uma T-Shirt da Unidade para oferecer a cada participante (para além da T-Shirt da Prova).
Km ou Meia-Maratona- 21 Km) através dos e-mail:
groldao@sapo.pt (Graça Roldão)
joanasaldanha@sapo.pt (Joana Saldanha)
A vontade de participar em eventos desportivos
A vontade de participarmos em eventos desportivos tem-se espalhado, dentro e fora da Unidade de Neonatologia, e tem-nos proporcionado momentos muito bons, quer do ponto de vista físico quer para a saúde dos neurónios.
CORRIDA DA MULHER
3 de Junho de 2007
Além do pessoal da Neonatologia, cada vez mais interessado em arrastar as colegas ainda renitentes, tivemos desportistas de outros serviços, amigas e mães de bebés que cresceram connosco.
Houve quem só andasse, quem corresse (e já ninguém consegue ultrapassar a Enf. Graça), mas todas chegaram ao fim com vontade de mais. Fomos para casa felizes e com as lindas flores que nos ofereceram à chegada.
24 de Junho de 2007
Estava uma manhã de Domingo muito agradável e felizmente sem sol. As subidas foram só duas, e quem no fim ainda se conseguia sentar pôde ir para casa a pedalar numa fantástica bicicleta “cheia” de mudanças!
Foi assim, como uma espécie de reconhecimento do terreno para a próxima Meia/Minimaratona de 16 de Setembro onde contamos repetir os feitos do ano passado, cada vez com mais gente a apoiar e a puxar pela Neonatologia do Hospital de Santa Maria!
Como se pode ver, convívio puxa convívio e temos diversificado as nossas actividades.
CAMINHADA “FORTES
DAS LINHAS DE
TORRES”
5 de Maio de 2007
Uma coisa é certa: faz bem ao corpo mas ainda melhor, à mente, e todos podem participar à medida dos seus gostos e possibilidades.
Fica aqui o desafio!
Joana Saldanha
17ª Meia Maratona de Lisboa
Parece que temos andado um pouco “longe” das aventuras desportivas, mas não!
Não temos é dado notícias através do blog, mas aqui estamos para falar um pouco das nossas actividades lúdicas e desportivas, que para alguns têm sido levadas muito a sério!
Desta vez, damos notícias da nossa participação na corrida da Ponte 25 de Abril que decorreu no dia 18 de Março.
Participamos com um grupo de 70 pessoas, integrados no Grupo da Sociedade Portuguesa de Nefrologia, com o patrocínio do laboratório AMGEN Biofarmacêutica e cujo objectivo é o de oferecer um presente de Natal a todas as crianças e jovens portugueses (até aos 16 anos) com insuficiência renal crónica avançada, em diálise ou transplantadas.
Este ano, ainda não tivemos corajosos a participar na Meia Maratona, mas treinam-se em “segredo” as próximas revelações desta prova. Esperemos para ver…
Encontramo-nos junto ao Planetário em Belém bem cedinho, como é habitual nestes eventos…
sempre com um ar feliz e muito
espírito desportivo!
Lá fomos entrando para os autocarros, que nos levaram até à Estação de Entrecampos. Aqui era um “mar de gente” tentando encontrar um “buraquinho” no comboio!
Muitos apertados, fizemos a curta viagem até ao Pragal. Conseguimos chegar mas, em condições físicas, impróprias para desportistas, mas enfim, não vale a pena arranjar desculpas para “performances” menos boas e afinal, aquilo que nós queríamos era participar e divertirmo-nos!
Chegar ao Tabuleiro da Ponte, foi outra aventura, pois aquele “mar de gente” imenso deslocava-se lentamente, apertadamente até à Partida.
Finalmente no Tabuleiro da Ponte: claro que ainda era bem cedo e aproveitamos para conviver e depois para fazer o aquecimento para a grande caminhada (grande?).
E às 10,30 h lá fomos nós!
Claro que houve logo uma “malta” com as pernas mais treinadas que abalou por aí fora, tentando correr por entre aqueles milhares de pessoas, como se de “grandes desportistas” se tratassem!
O grupo maior, foi-se “desmantelando” em pequenos grupos, de acordo com os ritmos de uns e de outros, mas sempre com aquele espírito muito desportivo, e aproveitando também para “pôr conversas em dia”, sem stresses e com o tempo passando ao sabor de um dia diferente e de uma paisagem lindíssima!
Ponte, olhando para baixo e
pensando “O que ainda falta
para lá chegar!” “Acho que não
me meto noutra!”
Aliás, houve uns “pezinhos”
que chegaram ao final, muito
maltratados!
(finalmente!). Mas é justo dizer que andamos
muito, muito mais, pois na Partida,
estávamos a quilómetros da linha da frente!
Muito bem dispostos, (apesar dos músculos, dos pés doridos – no dia seguinte, foi pior!) e depois de recebida a medalha de participação (orgulhosamente colocada no peito de alguns), hidratados, refrescados (que belos gelados!), fomos almoçar ao Centro Cultural de Belém, numa amabilidade da Sociedade Portuguesa de Nefrologia.
Depois de um dia muito agradável, com a oportunidade de contemplar a bonita cidade de Lisboa,
de um “miradouro” excepcional, cada um de nós seguiu o seu caminho, cansado mas feliz!
Claro que já havia nesta altura, na cabeça de alguns, projectos para as próximas corridas. Mas
destas, falaremos depois.
Até à próxima.
Graça Roldão
domingo, outubro 29, 2006
Uma Questão de Amor...
Nasceram no dia 07 de Junho de 2004. Sou, por isso, uma mulher privilegiada e muito feliz. Durante a gravidez, com excepção da minha mãe e de uma conhecida de Setúbal, quando dizia estar à espera de três bebés, invariavelmente, ouvia "coitada". Nunca compreendi a razão de ser deste comentário. Afinal, em geral, tratavam-se de mães, algumas até com mais do que um filho. Depois do seu nascimento, este comentário foi substituído pelo "é uma felicidade mas deve dar muito trabalho". O tempo encarregou-se de tirar a razão a estes comentários.
A Filipa, o Martim e o Miguel nasceram com 30 semanas, com pouco mais de 1 kg cada um e permaneceram na Unidade de Cuidados Especiais do Hospital de Santa Maria durante 40 dias. Aí aprendi, com a preciosa ajuda de todos quantos ali trabalham, a cuidar deles. Já em casa, ficaram exclusivamente a meu cargo, do pai e da pediatra.
Hoje, decorridos mais de 2 anos sobre o seu nascimento, continuo sem compreender a razão de ser do "coitada" e do "dão muito trabalho". Há milhares de mulheres que tentam durante anos ter filhos e não o conseguem. Tê-los é um privilégio que não se iguala a outro na vida de qualquer ser humano.
Quando soube que ia ter 3 filhos de uma única vez (e mais fossem) apoderou-se de mim uma felicidade que alterou para sempre o modo como perspectivo a vida. O omnipresente "eu" deu lugar ao "nós" sem que sentisse a minha liberdade individual ameaçada. Não deixei de trabalhar, de ir de férias, a casa de amigos e familiares, etc.
Quanto ao suposto "muito trabalho", na acepção dos que acham que assim é, julgo que falam das muitas noites sem dormir mais do que 30 minutos seguidos, das idas à urgência do Pediátrico do Santa Maria e de Coimbra (alguns acabaram em internamentos), dos banhos, das refeições, do cuidado das roupas, etc., etc. Com o respeito que me merece quem pensa assim (e convenhamos, é a maioria) todos os cuidados que tenho prestado aos meus filhos, em especial nos momentos mais difíceis, concretizam o amor que sinto por eles. Convenhamos, no que é que se concretiza o amor pelos nossos filhos? Tenho-me confrontado com a contradição dos pais que afirmam o seu amor incondicional pelos filhos e, logo a seguir, se queixam das noites perdidas, das fraldas sujas, das birras quando são maiores, isto já para não falar da limitação que sentem à sua liberdade de movimentos, etc., etc.
Cuidar dos meus filhos nunca foi (nem será) um dever ou uma maçada. Pelo contrário. Observá-los a cada momento, colocar-me no pensar e sentir deles e agir de modo a que a nossa comunicação se estabeleça, é algo de muito estimulante e vai durar a vida toda. Tive sempre para mim que se trata de uma atitude mental. Faz toda a diferença. Nunca cheguei a casa e pensei "tenho 3 banhos para dar", "3 crianças a chorar e a fazer birras", etc., sempre os tratei na sua individualidade. Acho que não há mães de gémeos, trigémeos e mais... há mães, pais... ponto final... de 1, 2, 3... 7 ou 10. Por exemplo, quanto mais cansada chego a casa maior disponibilidade mental tenho para os meus filhos. Impossível? De todo. A Filipa, o Martim e o Miguel atropelam-se para me vir abraçar quando lhes apareço no infantário e os seus olhinhos nos meus têm um efeito mágico. Deixo de sentir o cansaço físico. Dedico-me a dar-lhes banho, a fazer e dar-lhes o jantar e finalmente, antes de dormir, a brincar com eles. Nesses dias, em especial, dão-me mais eles a mim do que eu a eles... a sua existência substitui qualquer forma de terapia para o stress ou ansiedade. Modestamente, fui sempre uma mãe tranquila que, a cada momento, tentou fazer o seu melhor. Acho que, regra geral, todas as mães o tentam. Fazem-no muitas vezes é de forma ansiosa quando, se fizessem um esforço para se lembrarem de como pensavam e sentiam quando eram crianças, entenderiam que não há fase da vida entre pais e filhos mais intensa do que aquela que se sucede ao nascimento e durante os primeiros anos de vida.
É um facto que, no modo tranquilo como me tenho relacionado com os meus filhos, tem sido fundamental a ajuda do papá, presença de todas as horas e da Drª Joana, a pediatra, cuja disponibilidade e calma transmitidas a cada telefonema ou visita ao consultório justificam a minha gratidão para sempre. Para mim, decorridos mais de 2 anos sobre o nascimento da Filipa, do Martim e do Miguel, não há confusão possível. Trabalho tenho no exercício da minha profissão e na lida de casa... os meus filhos nunca me deram trabalho.
Uma última nota para dizer que tenho como verdadeiros heróis na minha vida os pais de filhos deficientes (às vezes muito profundos) ou com doenças malignas. Os meus filhos e as crianças em geral crescem, ganham asas e voam... esses outros seres, cujo sofrimento devia ser proibido, suportam o sofrimento físico e psicológico que, a existir, devia estar reservado para nós, os pais. Mesmo nas situações mais difíceis por que passaram os meus filhos nunca deixei de pensar nos muitos pais, cujos dias são preenchidos a acompanhar o sofrimento dos filhos, perdidos em hospitais e salas de espera e tratamento... pior que tudo, às vezes sem esperança. O que são, pois, noites sem dormir, banhos, birras, etc. senão um privilégio dos pais, que como eu, têm filhos saudáveis.
Lurdes Silva.
quinta-feira, outubro 05, 2006
1ª Corrida Sempre Mulher
Continuando na saga desportiva, uma semana depois da Mini-Maratona Vasco da Gama, e já recuperadas dos longos 8 Km a que sujeitamos as nossas pernas, um grupo da Neonatologia (pequeno em número mas grande em vontade) participou na Corrida Sempre Mulher, e colaborou na angariação de fundos para a Associação Portuguesa de Apoio à Mulher com Cancro da Mama, mostrando assim a sua solidariedade e boa forma física.
O Parque das Nações foi o local escolhido para esta actividade desportiva, sem carácter competitivo. O percurso variou entre 1 e os 4 kms e podia ser feito a correr ou a andar. Partida e chegada situaram-se junto ao Pavilhão de Portugal.
Antes do início da prova, houve um prévio aquecimento (e que aquecimento!), com aula colectiva de aeróbica. Esta aula foi puro divertimento e risota permanente: precisamos de treinar um pouco mais as coreografias, mas portámo-nos mesmo assim, muito bem! De seguida, foi começar a correr, ou a caminhar de modo a concluir as 3 voltas do circuito.
Algumas “baldaram-se” mais cedo para casa, com a “desculpa” de ir trabalhar. Estão perdoadas! No final da prova, houve uma aula de Tai-Chi para relaxar mas nós, aproveitamos mais para conviver.
Foi uma bela forma de começar o dia!
De salientar, o apreço pela presença da Leonilde e da Fátima Miguel, que mostraram a excelente forma física e a sua permanente juventude.
Estamos todos de parabéns: os que participaram activamente em mais esta corrida e os que ficaram a trabalhar na UCERN.
Cidália
quarta-feira, outubro 04, 2006
Ser enfermeiro numa Unidade de Neonatologia
São pequenos, por vezes, muito pequenos: são os bebés prematuros. Nasceram “antes de tempo” (alguns às 23-24 semanas) e por isso, um longo caminho têm que percorrer, desde que entram na Unidade de Neonatologia até ao dia da sua alta.
Caminho longo, cheio de “atalhos” e de incertezas, que fazem deste percurso, um percurso sempre cheio de surpresas, nem sempre desejadas, nem sempre com um final feliz!
Frágeis e indefesos, dependentes da tecnologia que lhes permite sobreviver, mesmo assim, necessitam de todo o calor humano que cada gesto transmite. E cuidar deles, mais do que uma função, é antes de tudo um desafio às capacidades humanas que cada profissional coloca no seu cuidado e ao trabalho de uma vasta equipa.
Os enfermeiros, que o acolhem na Unidade após o nascimento, tudo prepararam para o receber: a incubadora “quentinha”, os monitores para vigiarem as suas funções vitais, o ventilador e tanto mais…
Ele (o bebé) chega e o centro da nossa atenção e cuidado é aquele bebé, sempre diferente de qualquer outro, de muitos outros que por ali passaram, único nos sonhos e fantasias dos seus Pais! Os primeiros momentos são de grande tensão, pois nunca estamos completamente preparados para as situações e sabemos quão importantes são estes primeiros momentos, estes primeiros gestos!
Muitas vezes, são os pais os primeiros que têm contacto com o bebé, e chegam à Unidade, expectantes, angustiados e sedentos de informação sobre a situação do seu filho.
Habitualmente, um enfermeiro tem o primeiro contacto com o pai: explica-lhe sumariamente a situação do bebé, preparando-o também para o ambiente que o rodeia (os tubos, os fios, que ligam o bebé, os aparelhos que o rodeiam). Depois, acompanha-o até ao bebé. Apoia-o no primeiro “embate”. Dá-lhe tempo… ouve as suas dúvidas, os seus temores… responde com prudência (entre a realidade de uma situação grave e a esperança de que vai melhorar) e de uma forma calorosa. Se o pai desejar, leva uma fotografia do seu bebé
para que a mãe o possa ver, ainda antes de vir à Unidade.
Cada dia é um dia, e assim vão acontecendo muitos dias! Ali estamos diariamente, cuidando daquele bebé, tão frágil, sensibilizados para as suas necessidades e para os seus problemas. Todos, procuramos ainda minimizar o impacto do ambiente e dos cuidados que proporcionamos ao bebé: ainda que saibamos que os cuidados intensivos são fundamentais à sua sobrevivência, sabemos também que os custos para o seu desenvolvimento, são por vezes, elevados (o ruído, a luminosidade, a manipulação, os procedimentos dolorosos…). Tão importante como ajudar o bebé a sobreviver, é fundamental que o ajudemos a sobreviver sem sequelas ou
com sequelas mínimas. As expectativas dos Pais são essas!
Também a relação dos Pais com o seu bebé, é desde o primeiro momento incentivada, de acordo com os desejos dos Pais, pois importa compreender que para estes, esta é uma etapa das suas vidas, vivida muitas vezes, com sentimentos de culpa, de sonhos “falhados”, de impotência, de frustração, de medos e dificuldades… Nem sempre, é fácil aos Pais num primeiro momento, olhar para o seu bebé, tocá-lo e senti-lo como seu!
Estar disponível, saber ouvir, compreender os seus medos e dificuldades, a agressividade por vezes latente nas suas palavras e comportamentos, é também parte do desafio de cuidar destes pequenos bebés, pois estes não existem sem os seus Pais, nem cuidamos deles, sem cuidar também dos seus Pais, apoiando-os nos momentos difíceis e partilhando com eles as vitórias do dia-a-dia.
Ajudar os Pais a cuidar do seu bebé, procurando autonomizá-los e preparando-os para o levarem para casa, é um dos aspectos fundamentais que os enfermeiros e toda a Equipa privilegiam, atendendo a uma filosofia de cuidados centrada na família.
Para os Pais, confortar o seu bebé, pô-lo ao colo, mudar a sua fralda, dar-lhe o primeiro banho ou o biberão, são decerto grandes “etapas” para quem vive no dia-a-dia a incerteza do dia seguinte.
Depois quando vão para casa, outra etapa se abre, fundamental na consolidação de uma família que se autonomiza, mesmo que os “laços” perdurem ainda por alguns anos: os telefonemas para resolver algum problema ou dúvida, as consultas de Neonatologia, as visitas à Unidade, as fotografias que nos deixam e que ilustram as Histórias de cada um e o privilégio que tivemos em partilhá-las!
sexta-feira, setembro 29, 2006


Nascer, viver e crescer
Nós por eles
Guilherme, 21 dias, 1000gr
Estávamos numa cinzenta manhã de domingo, com o sol escondido atrás de algumas ameaçadoras nuvens!
Pouco a pouco, vão surgindo de todos os lados, frente à Gare do Oriente, os corajosos que aceitaram o desafio de participar na Meia-Mini Maratona da Ponte Vasco da Gama.
A ideia foi germinando a partir daquela nossa participação, ainda muito tímida, na Mini-Maratona da Ponta 25 de Abril em Março passado e a partir daí, ao longo de alguns meses, foi tomando forma: a t-shirt que idealizamos, a fotografia que escolhemos (do Guilherme), a frase que fez sentido e finalmente, alguns patrocínios que angariamos e que nos permitiram avançar, financeiramente falando.

Inicialmente tínhamos a ideia de juntar uma Equipa de 100 “atletas” mas depressa percebemos que este número ia ser ultrapassado: foram 166 as pessoas que inscrevemos na Equipa da Unidade de Neonatologia (4 dos quais para a Meia Maratona)!

Esta grande equipa, contou com a participação de profissionais de saúde da Unidade e da Instituição, de pais de bebés que passaram pela Neonatologia, de familiares e amigos, e também de dois dos nossos “bebés”, a Mafalda e o Guilherme (hoje com 3 anos) que com muita “garra” chegaram à Meta, ajudados pela cadeirinha e pelo colo dos pais!

Depois de transportados para meio da Ponte Vasco da Gama, aguentamos estoicamente cerca de uma hora e meia, até ao sinal de partida: aproveitamos para pôr as conversas em dia, apreciamos o ambiente e alguns “cromos” que sempre aparecem nestes eventos e divertimo-nos muito, enquanto íamos aquecendo os músculos para os 8 Km (ou 21 Km) que aí estavam à nossa frente!
Às 10.30 horas, uns mais à frente e outros mais lá para trás, pois éramos mesmo muitos, lá começamos esta nossa caminhada/corrida rumo à Meta, junto ao Pavilhão de Portugal no Parque das Nações.
Pernas há muitas e para todos os ritmos: para uns foi mesmo a correr, (aliás, há alguns atletas com muito potencial para futuras maratonas!), outros deram um ar da sua graça, correndo de vez em quando (para “esticar” os músculos emperrados) e finalmente, muitos apreciaram este longo passeio, em passo descansado e sem grandes ambições competitivas!

O tempo, esse ajudou, apesar de uns pingos de chuva, que até nos refrescaram! Percalços houveram alguns mas de consequências menores: sobretudo quedas.
À Meta, fomos chegando em pequenos grupos, mais ou menos “descansados” mas decerto, muito felizes por esta grande proeza, que para alguns foi uma verdadeira prova de resistência e de vontade, e para todos, uma oportunidade de conviver por uma causa que a todos nos uniu: Nascer, Viver e Crescer. Nós por Eles!
No dia seguinte, e apesar de alguns músculos doridos, estávamos já a pensar no próximo evento desportivo, e a marcar encontro para o ainda distante 18 de Março, na Ponte 25 de Abril!
Até lá, bons treinos e o nosso muito obrigado a todos aqueles que fizeram parte desta grande Equipa: aos participantes e aos patrocinadores (Angelini Farmacêutica e a Partner Solutions) que tornaram possível esta iniciativa.
Unidade de Neonatologia, 25 de Setembro de 2006.