terça-feira, maio 25, 2010

Teresinha!!

Bebé Rafael



Olá,
Eu e os meus papás desejamos a todo o pessoal uma Feliz Páscoa!
Beijinhos do Bebé Rafael

P.S. – Comam muitas amêndoas por mim, pois os meus papás não me vão deixar comer…
 

quarta-feira, março 17, 2010

Hipotermia Induzida para Tratamento da Asfixia Neonatal


Serviço de Neonatologia do Departamento da Criança e da Família – Hospital de Santa Maria do Centro Hospitalar Lisboa Norte pioneiro na Introdução da Hipotermia Induzida para o Tratamento da Asfixia Neonatal

Apesar de constituir o fenómeno mais natural na vida de um ser humano, o nascimento pode ocasionalmente provocar danos mais ou menos importantes no recém-nascido, já que constitui sempre um processo que envolve um stress de maior ou menor intensidade.
Ao longo do tempo tem-se procurado evitar estas situações, melhorando o controlo das grávidas e da saúde do feto bem como as condições de assistência ao parto. Este esforço tem tido reflexos muito positivos nos indicadores de saúde, nomeadamente no nosso país.
Dentro das consequências menos desejáveis desse stress, a encefalopatia hipóxico-isquémica constitui uma das mais temíveis, pois acompanha-se por vezes, de consequências mais ou menos graves para o sistema nervoso central do bebé.
A encefalopatia hipóxico-isquémica é um quadro muito grave de asfixia neonatal, causada por complicações ocorridas ao nível da vigilância do trabalho de parto, do próprio parto ou da reanimação do bebé.
Em Portugal, estima-se que a incidência aproximada de casos de encefalopatia hipóxico-isquémica se situe num valor entre 100 a 400 casos por ano.
Diversas técnicas e medicamentos já foram testados para o seu tratamento mas, até agora, não foi comprovada a eficácia de nenhum deles na redução daquelas sequelas.
Procurando contribuir para a resolução deste problema, foi recentemente utilizada a hipotermia induzida, uma técnica inovadora, sem risco acrescido, que consiste no arrefecimento controlado da temperatura corporal do recém-nascido em risco, arrefecimento este que atinge os 33,5ºC durante 72 horas.
Nos últimos anos esta técnica foi testada em centenas de casos, principalmente no Reino Unido, sendo considerada como um procedimento de eficácia comprovada na diminuição, e por vezes na anulação, das sequelas da encefalopatia hipóxico-isquémica, desde que iniciada precocemente após o nascimento, de preferência até às seis horas de vida.
A literatura existente sobre esta terapêutica, baseada nos resultados preliminares de series já relativamente significativas, aponta para uma redução típica de um caso de sequelas neurológicas graves por cada seis recém-nascidos tratados.
Perante resultados tão promissores, a hipotermia induzida tem-se afirmado, desde 2008, como “standard of care” para o tratamento de recém-nascidos com encefalopatia hipóxico-isquémica no Reino Unido.
Em Portugal, dada a inexistência de terapêutica farmacológica eficaz, estes bebés eram, até muito recentemente, apenas tratados com a instituição de cuidados intensivos (terapêutica de suporte).
Em finais de 2009, e perante a evidência do real benefício da hipotermia induzida, a Unidade de Cuidados Intensivos Neonatais (UCIN) do Serviço de Neonatologia do Hospital de Santa Maria – Centro Hospitalar Lisboa Norte, decidiu iniciar a sua utilização em Portugal, procedendo à aquisição do respectivo equipamento e ao treino específico de médicos e enfermeiras.
De acordo com o Dr. Carlos Moniz, Director do Serviço de Neonatologia, este salto qualitativo foi possível porque no Hospital de Santa Maria já existiam um conjunto de áreas específicas da Especialidade de Pediatria (neurologia, nefrologia, doenças metabólicas e cardiologia, por exemplo) e outros equipamentos de apoio fundamentais (entre os quais, mencionamos a monitorização cerebral contínua e a ressonância magnética).
Nas palavras do Director do Serviço de Neonatologia, o Hospital de Santa Maria reúne hoje todas as condições para o cumprimento rigoroso dos protocolos associados à técnica, para além de ter capacidade para ser integrado em linhas de registo internacionais, sendo comparável a unidades europeias de referência nessa área.
«Não temos a mesma experiência, apenas tratámos quatro casos. Mas há sempre um início, vamos certamente ser confrontados com dificuldades, algumas alegrias e alguns insucessos. Mas isso faz parte da vida do Pediatra. Temos que ter um bocadinho de audácia, embora bem controlada, para podermos progredir. E temos conseguido muito bem, pois nas áreas da Neonatologia, Portugal é um dos países europeus com melhores taxas de mortalidade neonatal e somos considerados, pela Organização Mundial da Saúde, como referência para os países que não têm indicadores de mortalidade neonatal e perinatal ainda aceitáveis», concluiu o Dr. Carlos Moniz.
O primeiro recém-nascido, em Portugal, tratado com hipotermia induzida foi admitido na UCIN no passado dia 29 de Janeiro de 2010 e desde então, outros têm podido beneficiar deste tipo de tratamento.
Trata-se de bebés nascidos no Hospital de Santa Maria ou noutros hospitais mas que posteriormente foram referenciados com esta finalidade específica.
Para que a referenciação seja possível, os recém-nascidos devem preencher determinados critérios clínicos, pelo que nem todos podem ser submetidos a esta terapêutica. Além disso, o transporte deve ser efectuado em condições de hipotermia passiva (a temperatura corporal deve situar-se entre 34,5 e 35º C), o que implica uma preparação específica dos centros que referenciam esses recém-nascidos, assim como da unidade de transporte dos mesmos.
Em todos os casos atendidos no Hospital de Santa Maria tem havido um redobrado controlo destes doentes e, embora seja ainda muito cedo para fazer um balanço aprofundado dos benefícios desta terapêutica, pode desde já afirmar-se que a sua introdução em Portugal constituiu um avanço substancial nos cuidados prestados aos nossos recém-nascidos de risco.

A hipotermia induzida, largamente testada no estrangeiro, é considerada como um procedimento de eficácia comprovada na diminuição, e por vezes na anulação, das sequelas da asfixia neonatal, desde que iniciada precocemente após o nascimento.

A hipotermia induzida consiste no arrefecimento controlado da temperatura corporal do recém-nascido em risco até aos 33,5ºC durante 72 horas

segunda-feira, fevereiro 22, 2010

Teresinha (bébé Rito)

Olá a todos,
 
Não posso deixar de escrever este mail, pois hoje (19 Fevereiro) faz um ano que a Teresinha (bébé Rito) deu entrada no hospital de D. Estefania com uma menigite grave. Hoje será dia de festa, se naquele dia tudo estava perdido hoje temos a nossa menina em casa a fazer as suas birras e a espalhar os brinquedos pela casa e a dar muito trabalho............... desde desse dia que todos os meses nos deslocamos à Estefania pois todos os meses tem febre, tosse............. isto porque a Tété tem uma imunodeficiencia aparentemente transitória............... (HIPOGAMAGLOBULINEMIA TRANSITÓRIA DA IDADE)................ embora esteja cansada e ás vezes reclame, a verdade é que me sinto feliz por este cansaço e penso naquelas mães que partilharam comigo o seu sofrimento e angustia e infelizmente perderam os seus filhos............ não consigo deixar de pensar nessas mães ..............nunca sabemos o dia de amanhã e confesso que por vezes vivemos dias de "sobresalto"................ OBRIGADA MAIS UMA VEZ POR TUDO E PELO VOSSO APOIO NESTA FASE......................
 
 
  
  
  
 
 

domingo, janeiro 31, 2010

" História da Ema "


No dia 11 de Março de 2009, nasceu uma menina chamada Ema, de 28 semanas com 8oog, com uma grave RCIU. Parece irreal quando se falam em gramas, quando o normal são kg e as semanas deveriam ser meses!
 Após algumas semanas nesta unidade tudo o que nós achamos que não podia acontecer, acontece! Na Ucern numa hora está tudo bem ( apesar dos sons dos monitores ), noutra já está tudo mal.
As horas vão se tornando dias e os dias em semanas, somando no nosso caso 120 dias nesta unidade e mais 5 dias na Pneumologia Pediátrica. Com a Ema tudo acontecia, era esse o nosso sentimento apesar de nos confortarem com palavras de esperança  que tudo ia correr bem: “ Tenham calma, Vamos ver, Saber esperar…” , só que como éramos Pais prematuros tudo nos assustava e preocupava. Com a Ema era um passo para a frente e dois para trás! Muitas das vezes, sem darmos conta, “abraçávamos” a incubadora, porque não podia haver contacto físico!
No meio de tanta turbulência que foram esses dias( o pior dia foi o anterior à Páscoa, esteve entre a vida e a morte) o principal problema da Ema é pulmonar. Os pulmões foram o órgão que não chegaram a crescer na totalidade e  devido a muitas complicações, acabou por ficar com Displásia Bronco-pulmonar, que até ao momento parece estar controlada em casa com ajuda de oxigenóterapia, cpap desde o dia da alta até Novembro de 2009. O oxigénio continua sem data prevista para tirar.Esta história foi uma lição de Vida, com a qual aprendemos a ser mais tolerantes e ver tudo de forma diferente.Queremos agradecer, toda a equipa de enfermeiros e médicos que ajudaram a Ema a vencer! Aqui vão umas fotos, desde os primeiros dias de vida,até agora com 10 meses.

domingo, janeiro 10, 2010

Teresinha!

Olá tias,
 
Estive com algumas de vós no passado dia 5, quando fui á minha consulta de Cirurgia.
Pode parecer estranho, mas a mamã vê sempre estas consultas como um reencontro com uma família do coração, uma família que esteve ao nosso lado em todos os momentos importantes da minha vida de 19 meses no Hospital de Santa Maria.
Para todas as tias que não vi e, todos aqueles que se cruzaram connosco na nossa passagem pelo Hospital de Santa Maria, aqui fiam algumas fotografias minhas tiradas este Sábado, dia 9 de Janeiro.
 
Beijinhos para todos vós e votos de BOM Ano
 
Teresinha Borges
 

 
 

BÉBÉ RITO

Olá sou a Maria Rito e venho por este meio desejar um Bom Ano a todos os que cuidaram da minha irmã, a todos os bébés e familias..............
 
Um grande xiiiiiiiiiiiiii coração
 
Sei que a minha mãe já enviou uma mensagem só que não enviou uma foto do nosso e vosso orgulho.......... aqui vai..........
 
M. Rito
 
 

 

quarta-feira, janeiro 06, 2010

Gémeos Azevedo

Para UCERN de Santa Maria desejamos Boas Festas e um Ano Novo muito feliz.
Um beijinho muito especial dos gémeos Lourenço e Martim (que fazem hoje 2 anos e nove meses), para sempre agradecidos por tudo o que fizeram por nós (e pelos nossos papás).

Da família Azevedo Pereira



segunda-feira, janeiro 04, 2010

Agradecimento e boas festas

OLÁ A TODOS,

SOU A MÃE DA BÉBÉ RITO E VENHO POR ESTE MEIO AGRADECER TODO O VOSSO APOIO AO LONGO DESTE ANO E MEIO. A NOSSA TÉTÉ TEM HOJE 18 MESES E É UMA PIRATA MUITO SIMPATICA E SORRIDENTE. COM UM FEITIO MUITO ESPECIAL.......................

AGRADEÇO TAMBÉM TODO O APOIO DURANTE O INTERNAMENTO DA TÉTÉ NO HDE APÓS TER SIDO DIAGNOSTICA UMA MENIGITE GRAVE, FORAM 63 DIAS LONGOS QUE MAIS PARECEU UM ANO................................ FORAM MOMENTOS MUITO DIFICEIS PARA NÓS E MUITO ANGUSTIANTES ONDE TUDO PARECIA PERDIDO E NADA ESTAVA GARANTIDO....................... OS PRIMEIROS DIAS FORAM PASSADOS ENTRE O S.O, O QUARTO DE ISOLAMENTO E OS CUIDAOS INTENSIVOS................... AS IDAS AO BLOCO OPERATÓRIO TORNAVAM-SE UMA ROTINA .................PERCORREMOS OS CORREDORES PARA FAZER EXAMES E MAIS EXAMES...................

OBRIGADO POR TUDO........... A TODOS

OBRIGADO AO DR. ANDRÉ POR ESTAR SEMPRE DISPONIVEL PARA AS NOSSAS DUVIDAS E ANGUSTIAS
OBRIGADO TAMBÉM Á ENFERMEIRA GRAÇA PELA SUA PREOCUPAÇÃO E DISPONIBILIDDAE.........

NÃO HÁ PALAVRAS NEM PRESENTES QUE POSSAM AGRADEÇER O VOSSO CARINHO, ACOLHIMENTO, PROFISSIONALISMO E DEDICAÇÃO...................

OBRIGADO A TODOS POR TUDO

COM MUITO CARINHO E FOTOS DE BOAS FESTAS

TÉTÉ (BÉBÉ RITO), MANA MARIA E PAIS (ANA E LUIS)

quinta-feira, dezembro 24, 2009

Um Obrigado ás minhas tias.....

Os pais do Bebé Rosa (Martim), querem agradecer ás "tias" da Neonatologia, todo o carinho e amor que deram ao nosso filho nos primeiros dias de vida.
Apesar de o Martim ter sido um prematuro "grande", sem o vosso apoio, compreensão e carinho, teria sido bem mais difícil gerir todo o misto de sentimentos que vivemos durante o internamento do nosso bebé.
Agora já com 1 mês e 5 dias de vida, temos connosco um bebé "crescido" e lindo, tal como podem constatar.
 
Jamais esqueceremos o que fizeram pelo nosso filhote.
Desejamos a toda a Unidade de Neonatologia um Santo Natal, com muita Saúde e Amor.
 
Obrigada por tudo
 
Marisa Rosa, Tiago Cunha Porto
 

domingo, dezembro 13, 2009

obrigada tias............

Os pais da bebé Inês Pacheco Barrocas, vêm por este meio agradecer tudo o que fizeram pela nossa princesa e por nós.

Não há palavras que definam e que consigam descrever todo o profissionalismo, dedicação, humanismo e apoio que nos deram e que sentimos que dão a todos que passam por ai.

Estamos fragilizados não conseguimos expressar tudo o que de bom nos fizeram.

O Nosso Anjinho de certeza que nos protege a todos

obrigado por tudo


Ana Luisa Pacheco e Belchior Barrocas



Aniversário Martim /Bébé Elisabete 7/12/2004


Venho desta forma partilhar a minha actual felicidade junto da minha FAMILIA!!!!!!!!!!!

Graças a todos Vós é possível estar aqui junto dos meus Pais e Mana a viver momentos de muita alegria, pois amanhã vou fazer 5 ANOS!!!!!!!!!!!!!

Mais uma vez quero agradecer todos o vosso esforço e empenho que me ajudaram a ser feliz a mim e a todos os que gostam de mim.

Assim sendo ,envio fotos em anexo para vos ilustrar a minha felicidade!!!!!

Já agora aproveito para vos dizer que o meu herói preferido é o Homem-Aranha.........

Muito Obrigado,

Desejo-vos um Feliz Natal e um Bom Ano Novo!!!!

Bjs e Abraços,

Martim Fonseca

P.S: espero os visitar em breve para agradecer a vossa ajuda no "inicio" da minha VIDA.....





quinta-feira, novembro 19, 2009



“Existem duas maneiras de vivermos a nossa vida: uma é pensarmos que não existem
milagres, outra é pensarmos que tudo é fruto de um milagre!”
(Albert Einstein, que foi prematuro)

Sempre desejámos ser Pais e foi com grande alegria que, no dia 18 de Fevereiro de 2009, soubemos que íamos ser Pais de uma menina, a Maria Leonor. Podemos dizer que o (pouco) período de gravidez foi vivido com grande emoção e ansiedade de conhecermos a nossa pequenina.
Até ao dia 16 de Março, nada faria prever que o nascimento da nossa filha estaria para breve e, muito menos sonhávamos, que ele viesse a fazer parte das estatísticas que pautam sobre o nascimento dos grandes prematuros que nascem com extremo baixo peso. Na madrugada do dia 16 de Março, a Maria Leonor deu os primeiros sinais de que queria nascer (muito tempo antes!). Dirigimo-nos à CUF, hospital onde era seguida nas consultas de obstetrícia, mas ao depararem-se com o inevitável nascimento prematuro da nossa bebé, decidiram transferir-nos para o Hospital de Santa Maria.
Posso dizer que fui acompanhada por uma equipa fantástica que, desde o primeiro minuto, me transmitiu muita segurança, o que permitiu que me mantivesse calma. A data do parto estava prevista para o dia 26 de Junho de 2009 mas, no dia 16 de Março às 22h10, com apenas 25 semanas, nasceu a Maria Leonor com 822 grs e 32 cm.

Após o nascimento, todos os pais esperam poder levar o seu filho para casa e, com um nascimento tão prematuro, vemo-nos confrontados com uma realidade inimaginável, completamente desconhecida, o internamento prolongado de um bebé, e todos os cuidados a ele inerentes, sem que para isso estivéssemos minimamente preparados.

A primeira visita à Unidade de Cuidados Intensivos é, sem dúvida vivida com um misto de sensações: medo, frustração e angústia. Encontrámos a nossa pequena Leonor numa incubadora, alimentada por uma sonda,  monitorizada a aparelhos totalmente desconhecidos e que emitiam insistentemente sons que nos alarmavam, pois nem de longe os conseguíamos decifrar.

O bebé com que sempre sonhámos estava ali, à nossa frente, absolutamente dependente de máquinas, de pessoas especializadas, e de nós, para poder sobreviver. Mentiria se dissesse que a Leonor era o bebé que imaginava mas gostei dela no primeiro minuto. Apesar do seu aspecto frágil e indefeso, o seu pequeno corpo era desproporcional à força com que abraçou o mundo, o que mais tarde se revelou fundamental para a sua boa recuperação.

Aquele mundo era completamente diferente do nosso. Bebés que lutavam pela vida, conquistando cada minuto que passava com uma força cada vez maior, deixando para trás os obstáculos que se opunham à sua recuperação.

Ao olhar para a Maria Leonor pela primeira vez, não chorei! Aliás, ao vê-la ali, entubada, disse para mim mesma: Deus quis assim! Quis que ela nascesse. Ela nasceu e não desistiu, logo, se ela não o fez, porque seríamos nós a fazê-lo. Ninguém mais do que ela, que vivia aquela cena como personagem principal, estaria a sofrer mais, logo, se ela sofria no corpo as consequências da sua prematuridade, quem era eu para me queixar? Se a Leonor lutava, quem éramos nós para desistirmos. Só teríamos de lutar com ela e, assim foi desde o primeiro minuto.
Os dias, as horas, os minutos e por vezes os segundo que se seguiram não foram fáceis. Tudo era uma incógnita. Quando questionávamos sobre o seu estado, tentavam sossegar-nos mas sem nos transportarem para um mundo ilusório. Sempre foram muito realistas dizendo-nos que teríamos de viver um dia de cada vez, mas posso dizer que não era um dia, mas sim uma hora, um minuto e até mesmo um segundo de cada vez. A Maria Leonor baixou de peso até aos 524 grs, e só voltou a recuperar o peso com que nasceu quando completou um mês de vida.
O facto da nossa bebé ser considerada uma grande prematura com extremo baixo peso à nascença, trouxe-lhe as normais complicações inerentes à sua condição (hemorragia intraventricular, transfusões, retinopatia da prematuridade e problemas cardíacos), mas revelou ser uma bebé com muita força e mostrou a todos nós que venceu uma luta e recuperou sem complicações de força maior.

Desde o primeiro dia, sempre nos disseram que a nossa presença e principalmente o nosso contacto físico eram muito importantes. Era fundamental que sentisse que era amada, que sentisse a presença dos pais, e que sentisse que eles lutavam por ela. Que lutavam com ela.
Posso confessar que inicialmente não foi o facto de me incutirem esta responsabilidade que me aproximou mais da minha bebé, mas sim o facto de a amar muito e de acreditar nela. Mas, com o passar dos dias, pude perceber o quão importante era a nossa presença, o nosso contacto físico, a nossa voz, e a nossa energia positiva para a sua rápida recuperação, e a dada altura, já sem qualquer apoio para respirar apenas esperava aumentar de peso para que pudesse vir para casa.

No período em que a Leonor esteve internada, conheci pessoas extraordinárias, com histórias de vida tão diferentes da minha mas que a própria vida se encarregou de as cruzar no meu caminho, no mesmo espaço, na mesma altura, numa condição semelhante.
Posso dizer que se vincaram laços de amizade que perduram e vão perdurar e que se revelaram tão (ou mais) fortes que aqueles que nos acompanham desde a infância.
Cada minuto que passava, apesar da minha bebé estar bem, se outro bebé não estava, nós partilhávamos das mesmas tristezas, dos mesmos receios e das mesmas angústias. E lá estávamos para dar força às suas famílias e, por sua vez, aos bebés.
Também a reunião mensal com os pais de bebés internados, ajudava a partilharmos a nossa histórias e tudo o que nos assustava, bem como a colocarmos questões sobre procedimentos internos e até mesmo tratamentos e desenvolvimento dos nossos bebés. Contribuíam para nos aproximarmos um pouco mais uns dos outros e apoiarmo-nos mutuamente.

O cenário de uma Unidade de Cuidados Intensivos de Recém-Nascidos não é de todo o mais agradável, a quantidade de fios, sondas, monitores e alarmes é impressionante mas, com toda a dedicação, carinho e profissionalismo que os médicos, enfermeiras e auxiliares cuidam dos bebés, é deveras reconfortante, pois sabemos que não poderiam estar em melhores mãos.
Com esta experiência de 86 dias, podemos perceber a grandeza de cada minuto da vida, ou até mesmo de cada segundo, para aqueles que apesar de tão pequeninos lutam com uma força para abraçar o mundo que os pôs à prova logo à nascença.
Agradecemos de forma muito especial a todo o pessoal da Neonatologia do Hospital de Santa Maria, pois para se trabalhar num sítio destes tem de se ter um dom muito especial. Para além de cuidarem dos bebés, também cuidam dos seus pais, dos seus receios, das suas angústias e das suas ansiedades. Desde o primeiro minuto sempre acreditaram e nunca desistiram da nossa filha.
Os médicos e as enfermeiras que conheci são de uma dedicação extrema e, apesar de acabarmos por nos aproximarmos mais de umas dos que de outras, é inevitável testemunhar o amor, o carinho, a dedicação e o profissionalismo com que todas assistiam cada bebé.

Agradecemos também às também às auxiliares que tinham sempre alguma coisa para nos dizer e muitas das vezes nos fizeram rir em momentos muito difíceis.
Obrigada também a ti Maria Leonor, por teres nascido, por teres lutado, por nunca teres desistido, por teres sido tão forte e, principalmente por fazeres de nós uns pais prematuros tão felizes e orgulhosos de ti. Estás cá de pequeno corpo mas de grande alma.

Maria Leonor, uma pequena grande mulher.

segunda-feira, outubro 19, 2009

Meia Maratona - Pais Madalena

Confesso que quando o despertador tocou naquele domingo, às 6:20h, eu pensei: "se calhar isto não foi uma boa ideia...". Estava a referir-me à participação na Mini-Maratona de Portugal, que teve lugar no passado dia 4 de Outubro.

Embora eu e a minha mulher sejamos praticantes de desporto, nunca tínhamos participado numa prova de atletismo. Conhecia a Mini-Maratona e nunca me senti suficientemente motivado para me inscrever. Porquê agora? A resposta é simples mas obriga-nos a recuar alguns meses atrás, ao início de Dezembro de 2008.

Eu e a minha mulher vivíamos com a normal ansiedade (e felicidade) a nossa primeira gravidez. Sabíamos que era uma menina e já tínhamos escolhido o seu nome - ia chamar-se Madalena. O nascimento estava previsto para meados de Março de 2009 mas as previsões nem sempre se concretizam. A Madalena nasceu no dia 2 de Dezembro de 2008, com 25 semanas de vida e com o peso de 537g.

A interrupção da gravidez da nossa filha foi uma ruptura no curso normal das nossas vidas. Sei que os pais que já passaram por semelhante experiência compreendem o que quero dizer. Durante os mais de 3 meses (106 dias) que a Madalena esteve aos cuidados da UCERN as nossas vidas estiverem suspensas à espera que ela "nascesse". Durante esse período em que fomos pais antes do tempo, a Madalena teve inúmeras mães, diversos pais, uma imensidão de tias, toda uma família que cuidou dela diariamente, sem repouso, e que pode orgulhar-se de ter salvo a Madalena, que tanto queria viver!

Foi com emoção que soubemos que a Madalena tinha sido escolhida como representante de todos os bebés da UCERN, através de uma foto estampada nas T-shirts da Mini-Maratona de 2009. O convite da Enf.ª Graça Roldão para a nossa participação foi irrecusável. A experiência foi fantástica e inesquecível. Recomendo-a a todos os pais que também passaram pela UCERN e tiveram as suas vidas suspensas, diariamente à espera que o dia de amanhã seja melhor do que o de hoje.

Obrigado a todos! Para o ano estaremos na ponte, a participar outra vez. Quem sabe... já com a Madalena a acompanhar-nos... :-)

Os Pais orgulhosos, Jorge e Ana


sábado, outubro 10, 2009

Crónica da 4ª Mini/Meia Maratona

4ª  MINI/MEIA MARATONA UNIDADE DE NEONATOLOGIA

HOSPITAL DE SANTA MARIA

4 de Outubro de 2009

Ponte Vasco da Gama




Neste 4º ano de participação da Unidade de Neonatologia do Hospital de Santa Maria, na Mini/Meia Maratona de Portugal, e apesar de uma Equipa mais pequena (inscrevemos 175 atletas, dos quais 19 crianças e 29 atletas na Meia Maratona) conseguimos mais uma vez, realizar plenamente os nossos objectivos!

A participação de menos atletas, deveu-se em parte ao fim-de-semana alargado em que muitos aproveitaram para fazer umas curtas férias e por isso, não estiveram em Lisboa e também, a algum receio pela Gripe A…

Como sempre, começamos a reunir cedo, junto à Gare do Oriente, e pouco a pouco, lá iam surgindo os atletas vestidos com a t-shirt (verde-lima) da Unidade de Neonatologia e que este ano, teve como sua representante na fotografia, a Madalena que nasceu com 25 semanas de gestação e com 537 gramas. Deixem-me dizer que ela está hoje, nos seus 10 meses, uma miúda giríssima, com uma energia e alegria imensa, que nos fazem a todos, ter um imenso orgulho por Ela e pelos seus Pais, que são também uns vencedores…

Como habitualmente, entre rostos conhecidos outros surgiram pela 1ª vez na nossa Equipa e ainda bem que assim é, pois queremos que ela cresça e se renove todos os anos. Aproveitamos para pôr conversas em dia e para conhecer melhor aqueles que agora chegaram …

O tempo estava um pouco cinzento, com muita neblina mas a temperatura, estava amena o que nestas coisas de corridas e caminhadas, até ajuda.

Depois da foto da Equipa (pena que alguns tenham chegado um “nadinha” atrasados e não ficaram) rumamos de autocarro para a PARTIDA.
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Este ano, estava também inscrita na Meia Maratona, mas a fraca condição física, não me permitia ir além dos 8 Kms da Mini Maratona e por isso, fui com o objectivo de curtir ao máximo a paisagem, o ambiente e aproveitar para fazer também, a reportagem fotográfica.

E foi num ritmo de “quase” caminhada que percorri mais uma vez, a Ponte Vasco da Gama, acompanhada pela Joana Saldanha e aqui e acolá, ultrapassando uns colegas da Mini e fazendo umas fotos. 




Terminámos com sol e com uma temperatura bastante agradável, e à nossa espera na Meta, estava a Família Silva (os Papás e os trigémeos Filipa, Miguel e Martim) que sempre nos acompanham nestas actividades extra-hospitalares. Foi muito bom, encontrar rostos conhecidos a apoiar-nos!






Fiquei ainda por ali, junto à Meta, e foram chegando alguns atletas, ilustres representantes desta Equipa, bem dispostos e com energia que permitiria decerto, ainda fazer mais uns tantos quilómetros por esta causa… A foto final, ilustra estas palavras!



Este ano, tivemos como habitualmente, o patrocínio de várias empresas: Angelini, GlaxoSmithKline, Sanofi Pasteur MSD, Dermoteca, Abbott, Vygon, Partner Solutions, Pulmocor e ainda um donativo da Família Silva, para além do desconto nas inscrições, feito pela Maratona Clube de Portugal. A todos eles, o nosso Muito Obrigado e desejamos contar com o seu apoio, no próximo ano.
Conseguimos, através dos patrocínios e das inscrições, angariar 4.040 € com os quais iremos adquirir equipamento necessário para a Unidade de Neonatologia. Aliás, já este ano, adquirimos um equipamento que permite fazer a administração de oxigénio de uma forma controlada, a bebés que necessitam desta terapêutica, e que é uma mais valia para o seu tratamento.
Aos Atletas, que são afinal o “motor” que nos permite levar à META esta iniciativa, é nosso desejo que tenha sido uma manhã bem agradável, desportiva na medida de cada um, e sobretudo, solidária para com a nossa Unidade de Neonatologia.
Contamos convosco no próximo ano!

Graça Roldão



terça-feira, setembro 29, 2009

Mini/Meia Maratona - Unidade Neonatologia




MINI/MEIA MARATONA DE PORTUGAL - 4 DE OUTUBRO - 10,30 Horas UNIDADE DE NEONATOLOGIA DO HOSPITAL DE SANTA MARIA


Caros ATLETAS,


Os materiais para a Corrida podem ser levantados a partir de dia 1 de Outubro (5ª feira) até à véspera da Corrida,  na Unidade de Neonatologia do Hospital de Santa Maria (para quem não conhece, devem entrar pela Urgência de Pediatria – nas traseiras do Hospital circulando pela direita do mesmo - subir até ao Piso 7 pelo elevador nº 5, e no Piso 7 ao sair do elevador, encontram um corredor à esquerda e no final do mesmo, a Unidade de Neonatologia – Unidade de Cuidados Intensivos Neonatais - e tocar à campainha). No caso de qualquer dúvida, podem telefonar para o 217805095 que é o telefone da Unidade.

No dia da Corrida, o ponto de encontro é entre a Gare do Oriente e o Centro Comercial Vasco da Gama, junto à Av. D. João II de onde vão partir os autocarros que nos levarão para cima da Ponte. Estaremos lá entre as 8 – 8,30 horas para também aproveitarmos para conviver e tirar umas fotos!

Com os melhores cumprimentos,


Graça Roldão


PS- Aconselho que façam o levantamento a partir das 16 horas pois antes, pode ser difícil de estacionar!

sábado, setembro 26, 2009

Dra. Maria Ofélia Guerreiro

Sobre si, Nuno Lobo Antunes diz no seu livro “(…) Ofélia Guerreiro, pediatra com uma missão, tantas vezes incompreendida como certeira, força e dedicação sem igual. Irada para com quem feria as suas convicções, exagerada na forma de as exprimir, verdadeira como já não se usa. Como diz o poeta Vinicius: Saravá!”

Graças à sua dedicação, força, convicções e espírito lutador tenho cá a minha Teresa!!

Obrigada e acredite que irei sempre dizer-lhe quem foi a Dra. Maria Ofélia Guerreiro!

quarta-feira, setembro 02, 2009

Bebé Borges

Olá tias,

No dia 18 de Agosto fiz aninhos, 5 anos.

Esta que é uma data minha e vossa só tem sentido quando partilhada com todas vós.

Por isso, aqui deixo uma fotografia do meu bolinho e de mim… claro!!!!

Beijinhos muito doces da vossa menina Teresinha (Bebé Borges)

domingo, agosto 23, 2009

Bebé Nunes (SARA)

Olá Boa tarde

Entrei Hoje pela primeira vez no v/ site da Internet e fiquei surpreendida com o v/ espírito de Equipa.

De facto durante todo o tempo que convivemos convosco (4 meses) tiveram sempre um gesto amigo e companheiro digno de uma equipa.

Queria a agradecer-vos a pessoa que hoje sou graças ao que apreendi na Neonatologia: “ viver um dia de cada vez”

Neste meu primeiro comentário agradeço à minha querida Dra. Ofélia todo o seu amor e dedicação, à Dra. Joana que salvou a minha filha quando ela estava a partir, ás tias da Neonatologia todo o carinho e protecção e a todos os médicos que prestaram a sua colaboração na recuperação da minha filhota.

E agora envio umas fotos da v/ bebé Nunes (SARA) – Hérnia Diafragmática agora já com 5 anitos. Vejam como esta crescida e linda. E é também graças a vocês uma criança muito feliz.

Bjinhos a todos

Da mãe da SARA


quarta-feira, agosto 12, 2009

Bebé Graça

Olá tias da UCERN,

É com muito amor e carinho que vós deixo as minhas fotografias.
Muito obrigada por terem contribuido para que no dia 28 Julho 2009 eu assoprasse a minha 1º velinha.
Um beijo muito grande para a enfermeira Filipa, enfermeiras Ana e enfermeiras Graça

Bebé Graça